Ciência e Tecnologia
17.03.2011

Nanopolímero pode facilitar e baratear teste de eficácia de drogas anti-câncer

Método determina se medicamentos são eficazes contra processos bioquímicos que levam à formação de células cancerosas

Foto: Purdue Agricultural Communication/Tom Campbell
W. Andy Tao usa nanopolímeros e reações químicas para detectar a atividade relacionada à formação de células cancerosas
W. Andy Tao usa nanopolímeros e reações químicas para detectar a atividade relacionada à formação de células cancerosas

Nanopolímero desenvolvido por cientistas da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos, pode facilitar e baratear o desenvolvimento de drogas que medem a efetividade de inibidores amplamente utilizados no tratamento contra o câncer.

A nova abordagem, chamada nanopolímero pIMAGO, é capaz de determinar se medicamentos contra o câncer são eficazes no combate a processos bioquímicos que levam à formação de células cancerosas. Os nanopolímeros se ligam a proteínas-alvo que, mais tarde, podem ser detectadas por um procedimento de laboratório relativamente simples chamado quimioluminescência.


Rastreio de inibidores da quinase

Os nanopolímeros pIMAGO criados pelo pesquisador W. Andy Tao são revestidos de íons de titânio que se atraem e se ligam a proteínas fosforiladas, aquelas em que um grupo fosfato foi adicionado a uma proteína ativando uma enzima chamada quinase. Essa enzima, quando hiperativa, é conhecida por causar a formação de células cancerígenas, e muitos medicamentos contra o câncer são destinados a inibir a atividade da quinase.

"É universal. Você pode detectar qualquer tipo de fosforilação em uma proteína", disse Tao. "Também é mais barato e seria mais amplamente disponível."

Os nanopolímeros são então adicionados a uma solução de proteína, um agente químico para iniciar fosforilação e um medicamento para inibir a atividade da quinase. Proteínas fosforiladas só ficam presentes se o medicamento for ineficaz.

Avidina-HRP - a ligação da proteína Avidin com peroxidase de rábano - é adicionada à mistura. Avidin se liga com um ácido da vitamina B chamado biotina que também está presente nas superfícies dos nanopolímeros. Um químico chamado substrato, acrescentado mais tarde, causaria uma reação com HRP, fazendo com que a solução mude de cor.

Uma solução levemente colorida significa que houve pouca atividade da quinase e poucas proteínas fosforiladas e que a droga foi eficaz. Uma solução mais escura é sinal de mais atividade da quinase e de uma droga menos eficaz.

"Isto poderia ter muitas aplicações na indústria farmacêutica para a descoberta de novas drogas", observou Tao.

A triagem de inibidores da quinase utilizando anticorpos pode ser custo-proibitiva para muitos laboratórios, porque os anticorpos são escassos e não estão disponíveis para vários tipos de células. Testes de radioisótopos são altamente regulamentados e possivelmente perigosos por causa da radiação envolvida.

"Queremos desenvolver isso como uma aplicação comercial para substituir radioisótopos e anticorpos, como um método universal para o rastreio de inibidores da quinase", acrescentou Tao.

Fonte: Isaude.net