Ciência e Tecnologia
22.02.2011

Impressora de tecidos e órgãos pode significar mudança histórica na medicina

Cientistas utilizam uma impressora convencional, substituindo a tinta por uma solução celular para produzir órgãos em 3D

Foto: Reprodução Medical University of South Carolina
Início do processo de confecção da tinta da nova impressora. As células vivas são giradas em uma centrífuga, cortadas e trituradas e isso resulta em esferas minúsculas que fluem como um líquido
Início do processo de confecção da tinta da nova impressora. As células vivas são giradas em uma centrífuga, cortadas e trituradas e isso resulta em esferas minúsculas que fluem como um líquido

Tecnologia usada para imprimir documentos também pode criar tecidos vivos. A técnica, desenvolvida por cientistas da Universidade Médica da Carolina do Sul e da Universidade Clemson (EUA), pode, em um futuro próximo, ser usada para produzir órgãos em miniatura para testar drogas. Em matéria divulgada pela BBC News, os cientistas responsáveis pelo projeto disseram que ainda esperam um dia poder utilizar a tecnologia de impressão para criar órgãos inteiros.

Tecnologia de impressão convencional

Quando um documento é impresso, a tinta é distribuída em um padrão específico no papel. Para criar três estruturas de tecido dimensional, pesquisadores americanos modificaram impressoras para usar uma solução de célula em vez de tinta.

Eles então imprimiram camadas repetidamente, criando uma estrutura em 3D. Especialistas na Grã-Bretanha disseram que o uso de células em vez de um polímero representa um grande avanço para a medicina regenerativa. No entanto, o uso da tecnologia no tratamento médico ainda tem um longo caminho, alertaram.

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This emerging technology was demonstrated at a news briefing Sunday at the AAAS Annual Meeting. During the presentation, the machine constructed a model of ear cartilage printed out of silicon.

A técnica

Na técnica, desenvolvida por médicos da Carolina do Sul e de Clemson, cartuchos de tinta convencionais foram lavados e reabastecidos com soluções celulares.

Então, o software que controla a forma como os fluidos dos cartuchos de se comportam, incluindo propriedades como resistência e temperatura, foi reprogramado.

Para criar estruturas 3D, um gel não-tóxico biodegradável foi projetado por cientistas da Universidade de Washington. O gel é um líquido abaixo de 20°C e solidifica acima de 32°C.

Durante a pesquisa, os cientistas descobriram que, enquanto as camadas fossem suficientemente finas para as touceiras entrar em contato umas com as outras, os pedaços de tecido iriam se fundir.

O gel pode ser facilmente removido, deixando a estrutura 3D.

A equipe de investigação, liderada pelo doutor Vladimir Mironov, da Universidade Médica da Carolina do Sul, disse que a técnica de impressão de tecido permitiu que tecidos fossem criados mais rapidamente do que a técnica já existente, onde um "andaime" é feito, e as células são semeadas sobre ele.

"O problema é que você nunca pode criar um órgão com um suprimento de sangue ", disse o pesquisador à BBC.

"Nós podemos imprimir o tecido que tem cinco centímetros de espessura em duas horas, e podemos imprimir um sistema de vasos sanguíneos ".

"O próximo passo é imprimir um elemento pequeno de um órgão, chamado de unidade estrutural funcional. Ela deve conter todos os elementos necessários que refletem a função do órgão".

Mironov acrescentou ainda que "estes órgãos poderiam ser utilizados como sistemas de testes de drogas ou para testar o tratamento que é melhor para um paciente. Por exemplo, uma biópsia de um tumor poderiam ser tomadas e as drogas testadas para ver qual é mais adequado para o paciente".

Órgãos inteiros

Para Anthony Atala, engenheiro de tecidos na Universidade de Harvard, "essa tecnologia é extremamente excitante, pois tem potencial para superar alguns dos principais obstáculos que vimos no passado".

Já o professor Tim Hardingham, diretor do Centro para Engenharia de Tecidos do Reino Unido disse à BBC que "a tecnologia de impressão representa uma variedade de promessas ".

"Mas há muito trabalho para saber como podemos aplicá-la realmente".

Fonte: Isaude.net