Ciência e Tecnologia
18.02.2011

Cientistas apontam risco no consumo do corante caramelo usado em refrigerantes

Reações químicas resultam na formação de 2-metilimidazole e 4-metilimidazole que foram relacionados ao desenvolvimento de câncer

Foto: Divulgação
Entidade reguladora norte-americana apresentou petição para proibir corantes de caramelo sob suspeita de serem cancerígenos
Entidade reguladora norte-americana apresentou petição para proibir corantes de caramelo sob suspeita de serem cancerígenos

O corante caramelo, usado em refrigerantes como Pepsi, Coca-Cola e outros alimentos, pode estar contaminado com dois produtos químicos causadores de câncer e deve ser proibido, de acordo com uma petição de regulamentação apresentada pelo Center for Science in the Public Interest - Centro para Ciência no Interesse Público - (CSPI), dos Estados Unidos.

Em contraste com o caramelo que pode ser feito em casa derretendo açúcar em uma panela, o corante artificial marrom em refrigerantes colas e outros produtos é feito pela reação da amônia com açúcares sulfitos sob alta pressão e temperaturas.

Reações químicas resultam na formação de 2-metilimidazole e 4-metilimidazole que, em estudos realizados pelo governo norte-americano, foram relacionados aos cânceres de pulmão, fígado, tireóide ou leucemia nos ratos de laboratório.

O Programa Nacional de Toxicologia, divisão do Instituto Nacional de Ciências de Saúde Ambiental que realizou os estudos com animais, disse que há "claras evidências" de que ambos os 2-MI e o 4-MI são cancerígenos. Os produtos químicos que causam câncer em animais são considerados uma ameaça de câncer em humanos. Pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Davis (EUA), encontraram níveis significativos de 4-MI, em cinco marcas de cola.

"Corantes cancerígenos não têm lugar no fornecimento de alimentos, especialmente considerando que a sua única função é cosmética", disse o diretor executivo do CSPI, Michael F. Jacobson. "O FDA (Food and Drug Administration) deve agir rapidamente para revogar a aprovação de corantes caramelo feitos com amônia".

Os regulamentos federais distinguem entre quatro tipos de corante caramelo, dois dos quais são produzidos com amônia e dois sem. O CSPI quer que a FDA proiba os dois feitos com amoníaco. O tipo usado em colas e outros refrigerantes escuros é conhecido como o Carmelo IV, ou caramelo processo sulfito de amônia.

Cinco especialistas de destaque na carcinogênese em animais, incluindo várias pessoas que têm trabalhado no Programa Nacional de Toxicologia, juntaram-se ao CSPI para pedir que a FDA barre o uso de corantes caramelo feito com um processo de amônia. "O público americano não deve ser exposto a qualquer risco de câncer de qualquer tipo, como resultado do consumo de tais produtos químicos, especialmente quando eles servem a um propósito não essencial" escreveram os cientistas em uma carta a comissária da FDA, Margaret Hamburg.

O CSPI também diz que a frase "corante caramelo" é enganosa quando usada para descrever a coloração feita com amônia ou sulfito. Os termos "caramelo processo de amônia" ou "caramelo processo sulfito de amônia" seriam mais corretos e as empresas não devem ser autorizadas a rotular todos os produtos que contenham corantes, como "natural", de acordo com o grupo.

"A maioria das pessoas podem interpretar corante caramelo como colorido com caramelo, mas este ingrediente tem pouco em comum com caramelo", disse Jacobson. "É uma mistura de marrom escuro concentrada de substâncias químicas que simplesmente não ocorrem na natureza. O caramelo regular não é saudável, mas não está contaminado com substâncias cancerígenas".

Fonte: Isaude.net