Geral
01.02.2011

Droga usada no tratamento de Alzheimer pode aumentar declínio cognitivo

Resultados podem ter implicações para os pesquisadores que estão trabalhando em testes de novas drogas e biomarcadores

Droga prescrita para tratar comprometimento cognitivo leve (CCL) e doença de Alzheimer (AD) foi associada ao maior declínio cognitivo em um grupo de pacientes acompanhados por dois anos. A conclusão é de um estudo liderado por pesquisadores da Escola de Medicina Keck da Universidade do Sudeste da Califórnia (USC), nos Estados Unidos.

Os resultados podem ter implicações para os pesquisadores que estão trabalhando em testes de novas drogas e biomarcadores e não servem como um teste de eficácia das drogas.

Lon Schneider, professor de psiquiatria, neurologia e da gerontologia na Escola Keck, foi o principal pesquisador do estudo. A pesquisa descreveu a evolução clínica de pacientes inscritos na Iniciativa de Neuroimagem da Doença de Alzheimer (ADNI) lançada pelo Instituto Nacional de Saúde em 2004 e que já estavam tomando inibidores da colinesterase e do glutamato - bloqueador da memantina.

Schneider contou com a colaboração de Michael W. Weiner, professor de medicina, radiologia, psiquiatria e neurologia da Universidade da Califórnia em San Francisco.

"Os pacientes que já recebem os medicamentos anti-demência quando entraram ADNI apresentaram uma cognitivo piorada nas avaliações clínicas ao longo de dois anos do que aqueles que não recebem esses medicamentos", disse Schneider. "As descobertas são um alerta para os investigadores de planejamento e interpretação de ensaios clínicos e estudos de biomarcadores. Ao projetar novos ensaios para testar medicamentos ou biomarcadores, os pesquisadores precisam levar em conta os efeitos de pacientes que já estão tomando drogas".

"Nós não devemos tentar extrair conclusões sobre a eficácia dos medicamentos a partir deste estudo, pois ele não foi projetado para essa finalidade. Foi um estudo observacional", acrescentou Schneider. "Este estudo não se destina a informar os médicos e consumidores sobre a utilização destas drogas. Para isso seria necessário a longo prazo ensaios clínicos de tratamento ao acaso".

O estudo constatou que entre os pacientes com MCI que foram inscritos em ADNI, quase metade daqueles que estavam tomando um inibidor de colinesterase apresentou declínio nas habilidades cognitivas em maior grau do que aqueles que não estavam sendo tratados.

Entre os pacientes com maior comprometimento - nos primeiros estágios da doença de Alzheimer - quase a metade daqueles que estavam tomando um inibidor de colinesterase e memantina tiveram um desempenho pior do que aqueles que tomaram apenas uma dessas drogas.

Fonte: Isaude.net