Geral
01.10.2010

Município da AM registra incidência de 77,5% de Leischmaniose em homens

No período de 2005 a 2009, em Tabatinga, foram identificados ao todo 49 casos, e desses 22,5% eram mulheres

Pesquisa realizada no Amazonas detectou que em Tabatinga, a 1.108 quilômetros de Manaus, a maioria dos casos de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) ocorre entre homens, com 77,5% dos registros da Secretaria Municipal de Saúde daquele município. Entre 2005 e 2009, foram identificados ao todo 49 casos, e desses 22,5% eram mulheres.

Os dados fazem parte do trabalho intitulado " Estudo retrospectivo dos casos humanos de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA), no município de Tabatinga (Amazonas), uma região da tríplice fronteira" , realizado pela enfermeira Fabiane Soares, mestranda do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

"O objetivo da pesquisa foi de analisar dados de casos humanos de Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA), no município de Tabatinga/AM, e dessa forma, contribuir com informações que levem a uma melhor compreensão ou adequação das ações em políticas públicas e educação em saúde ", afirmou.

Segundo o estudo, de todas as faixas etárias, o maior percentual de ocorrências de LTA ocorreu naquela correspondente a maior atividade no trabalho: entre 16 e 29 anos (38,7%).

Além disso, o estudo revela que 53% dos pacientes tinham de 4 a 11 anos de estudo e 4% deles tinham mais de 12 anos de estudo. Quanto à procedência, Soares explicou que os pacientes eram principalmente de Tabatinga (80%), os outros 20% dos casos se distribui com procedência de municípios próximos como Jutaí, Santo Antônio, Atalaia do Norte, São Paulo do Olivença e Benjamin Constant. "Houve predominância de pacientes oriundos da zona urbana com 61,2%", completou.

A atividade ocupacional dos pacientes incidiu com maior frequência na agricultura (37,5%). Outros grupos que tiveram prevalência subsequente foram estudantes e militares, ambos com 25%. Os dados analisados apresentam que a maioria dos casos (97,9%) é exclusivamente cutânea, enquanto que, apenas 1 caso (2,1%) tinha lesão mucocutânea (mais temida forma de leishmaniose cutânea porque produz lesões destrutivas).

Com financiamento pelo Programa de Apoio à Participação em Eventos Científicos e Tecnológicos (Pape) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (FAPEAM), o estudo será apresentado na 26ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Protozoologia e 37ª Reunião Anual de pesquisa Básica em Doença de Chagas, em Foz do Iguaçu, Paraná, no período de 25 a 27 de outubro.

De acordo com Soares, as zonas de fronteiras são locais de redes sociais de diferentes origens e isso as torna muito mais suscetíveis, inviabilizando ações de intervenção em saúde. "Por conta disso, esse tipo de trabalho irá colaborar para o melhor entendimento dos fatores que influenciam as endemias no Estado e os que sofrem influência deste meio ambiente", afirmou.

Análise

Durante a análise de dados, a pesquisadora iniciou contatos com Secretaria Municipal de Saúde, do município de Tabatinga para autorização de acesso ao Banco de Dados de Vigilância epidemiológica que concentra o quantitativo e a distribuição dos fenômenos de saúde e doença do município. Outra providência realizada por ela foi a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa, visto que a pesquisa envolveu informações de seres humanos.

A Leishmaniose Tegumentar Americana, conhecida popularmente pelos nomes: "úlcera de bauru" , " nariz de tapir" e " ferida brava" , se caracteriza por apresentar feridas indolores na pele ou mucosas do indivíduo afetado. É causada por protozoários do gênero Leishmania, como o L. braziliensis, L. guyanensis e L. amazonensis: parasitas de vertebrados mamíferos.

Fêmeas de mosquitos do gênero Lutzomyia são os vetores. Esses, de tamanho pequeno (menores que pernilongos), podem também ser chamados de mosquito-palha, birigui, cangalhinha, bererê, asa branca ou asa dura. Vivem em locais úmidos e escuros, preferindo regiões onde há acúmulo de lixo orgânico, e movem-se por meio de voos curtos e saltitantes.

A doença é endêmica da Amazônia, mas tem ocorrência em várias regiões do mundo, não se restringindo apenas às florestas, mas também presente em ambientes urbanos, em razão da destruição das coberturas vegetais nativas.

Fonte: FAPEAM