Ciência e Tecnologia
09.09.2010

Insulina pode reduzir fatores inflamatórios em pacientes em terapia intensiva

Os resultados mostraram que a insulina reduziu o risco de inflamação e estresse oxidativo nos pacientes envolvidos no estudo

Foto: Divulgação / Univ. de Buffalo
Paresh Dandona demonstrou que o tratamento com insulina pode reduzir as chances de sucumbir a uma infecção
Paresh Dandona demonstrou que o tratamento com insulina pode reduzir as chances de sucumbir a uma infecção

Um estudo da Universidade de Buffalo mostrou que insulina pode reduzir uma série de fatores inflamatórios induzidos por infecção bacteriana e septicemia em pacientes submetidos a terapia intensiva.

Os resultados mostraram que a insulina reduziu o risco de inflamação e estresse oxidativo nos pacientes envolvidos no estudo, que receberam uma injeção com uma bactéria comum, ou endotoxina, conhecida como LPS (lipopolissacarídeo).

O LPS, encontrado na membrana externa de várias bactérias gram-negativas, é conhecido por aumentar a capacidade das bactérias para causar hemorragia, necrose dos rins e choque, principalmente em pacientes imuno-comprometidos.

O estudo envolveu 19 voluntários saudáveis que receberam uma injeção com uma dose de endotoxina baseada no seu peso. Após a injeção de endotoxina, 10 participantes foram infundidos com insulina (acrescido de dextrose, para manter os níveis normais de glicose) e nove receberam a solução salina para imitar a perfusão de insulina.

Os pesquisadores monitoraram a temperatura, o pulso, a pressão arterial, dores de cabeça, dores no corpo e calafrios dos voluntários durante 24 horas após a injeção de endotoxina. Amostras de sangue foram coletadas uma hora antes da injeção, no momento da injeção e uma, duas, quatro, seis e 24 horas depois.

O acompanhamento mostrou que a endotoxina elevou da temperatura do corpo em três graus - de 98 para um pico de 101,3 na marca de quatro horas e produziu dores no corpo e dores de cabeça, entre uma e duas horas. Os resultados mostraram que a insulina reduziu o escore corporal e dores. Entretanto, não teve efeito sobre a temperatura.

Além disso, a endotoxina induziu uma rápida ascensão de diversos fatores destrutivos e inflamatórios, incluindo as espécies reativas de oxigênio (radicais livres) e produtos de óxido nítrico, além do metabolismo da gordura. A infusão de insulina levou a eliminação total de vários fatores pró-inflamatórios e uma redução significativa na geração de espécies reativas de oxigênio e produtos do metabolismo das gorduras.

Paresh Dandona, professor de medicina e autor sênior do estudo, disse que este estudo confirma as expectativas sobre o efeito anti-inflamatório da insulina. "Este estudo estabelece as bases para novos estudos com base em perfusão de insulina e normalização das concentrações de glicose no sangue em pacientes com endotoxemia e septicemia".

O grupo demonstrou que a insulina também tem efeitos anti-inflamatórios e cardioprotetores nos pacientes que tiveram um ataque cardíaco e, atualmente, está conduzindo um estudo sobre os potenciais efeitos benéficos da insulina sobre AVC agudo.

"Evidentemente, a insulina pode desempenhar papéis além daqueles concebidos quando foi descoberta em 1921, como uma hormônio metabólico, e desde então tem sido utilizada para o tratamento de diabetes e para reduzir as concentrações de glicose no sangue", conclui Dandona.

Fonte: Isaude.net