Geral
02.09.2010

Mayo Clinic cria novas linhas de células para combater o câncer de tireoide

Esta descoberta poderá possibilitar o desenvolvimento de tratamentos específicos para este tipo de doença letal

John Copland, Ph.D., biólogo da Clínica Mayo de Jacksonville (Flórida), especializado em câncer, é um dos dos principais coautores do estudo sobre a criação bem-sucedida de quatro novas linhas de células de ATC Câncer Anaplástico de Tireoide, cada uma delas com um conjunto diferente de mutações moleculares que provocam essa forma agressiva de câncer. A sobrevivência de pacientes com ATC é tipicamente curta: de três a quatro meses em média. Copland e outros pesquisadores de várias partes do mundo estão compartilhando as novas células de ATC. Esta descoberta poderá possibilitar o desenvolvimento de tratamentos específicos para este tipo de câncer.

Há tempos, cientistas da Clínica Mayo descobriram que as amostras de câncer anaplástico de tireoide (ATC), que estavam usando em laboratório para encontrar novas formas de tratamento para essa doença letal, eram provavelmente de algum outro tipo de câncer. Eles identificaram que a situação em seu laboratório era comum em todo o mundo: cerca de metade das linhas de células que, supostamente, deveriam ser originárias de pacientes com esse tipo raro de câncer da tireóide eram, na verdade, de câncer de cólon ou melanoma. Assim, com a cooperação de muitos pesquisadores de todo o país, os pesquisadores da Mayo decidiram criar, em laboratório, um novo conjunto de células de ATC, derivadas de tumores doados por pacientes.

Segundo o biólogo, " como as linhas de células são imortais e podem viver para sempre, elas constituem um elemento crítico para a pesquisa. E um grande problema é a contaminação da linha de célula, pois ela leva à falsa identificação de tipos específicos de câncer e a conclusões incorretas sobre eles" . Copland acrescentou ainda que " nós adotamos altos padrões para a caracterização de novas linhas de células em níveis genômico e molecular, que pode retroceder ao tecido original do tumor" .

A pesquisa mostra, em detalhes, as " pegadas" moleculares que ligam as mutações genéticas encontradas nos tumores dos pacientes às linhas de células derivadas desses tumores. Se surgir alguma dúvida no futuro, como se as linhas de células criadas recentemente foram contaminadas por outros tipos de câncer, os pesquisadores podem usar os dados da Clínica Mayo para confirmar a origem das células.

Combinação de medicamentos

De acordo com os pesquisadores, os avanços no tratamento do câncer dependem dos testes que são feitos, em primeiro lugar, nas linhas de células e, portanto, as linhas de células têm de ser puras. " Nós queremos testar medicamentos diferentes para cada linha de células, nas quais vias específicas são ativadas, para observar os efeitos" , diz o médico endocrinologista Robert Smallridge, o outro co-autor principal do estudo. " Cada uma das combinações diferentes de anormalidades moleculares vai gerar um conjunto diferente de alvos potenciais, que poderão ser atacados com terapia medicamentosa" , explica.

O endocrinologista acredita que, dentro de alguns anos, será possível analisar geneticamente cada tumor de pacientes com ATC, em tempo real, e prescrever medicamentos potenciais para seu perfil molecular. " Nenhum tumor se iguala a outro, mas, ao entender, através uma abordagem biológica de sistemas, as múltiplas vias que são ativas no câncer e, então, usar uma combinação de medicamentos que inibem essas vias simultaneamente, começaremos a fazer progresso na luta contra o câncer" , afirma.

A Clínica Mayo é o primeiro e maior centro de medicina integrada do mundo. Mais de 3.700 médicos de todas as especialidades, cientistas e pesquisadores, além de 50.100 profissionais de saúde de apoio, trabalham juntos na Clínica Mayo em Rochester (Minnesota), Jacksonville (Flórida) e Phoenix/Scottsdale (Arizona) no atendimento aos pacientes. Juntas, as três unidades tratam mais de meio milhão de pessoas, por ano.

Fonte: Isaude.net