
A Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF) realizou diversas atividades ontem no Parque da Cidade, para alertar os brasilienses sobre os problemas causados pelo cigarro. A programação foi realizada para comemorar o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto. Uma tenda foi montada próximo à administração do Parque, com diversas atividades culturais e recreativas, estandes de orientação sobre o tema, saúde da mulher e o tratamento.
Segundo o coordenador do Programa de Controle de Fatores de Risco de Câncer e Tabagismo da SES, Celson Antônio Rodrigues, por dia morrem oito pessoas em decorrência do cigarro. "Nosso objetivo é enfatizar os problemas causados pelo cigarro e também informar aqueles que querem deixar de fumar", diz. De acordo com Celson, atualmente existem 310 mil fumantes no DF, dentre as quais 60% homens e 40% mulheres. "O número caiu, mas, ainda é preocupante. No ano passado 320 pessoas morreram vitimas de câncer", afirma.
O coordenador explica que o evento alertou sobre os diversos tipos de doença incuráveis causadas pelo cigarro. Além de doenças vasculares, provoca também vários tipos de câncer como de pulmão, boca, lábio e laringe. Nas mulheres o vício do cigarro pode ocasionar câncer de útero e no aparelho urinário. "A mulher fumante tem 20% de chances de ter um câncer. Na adolescência, as meninas acabam começando a fumar mais cedo do que os meninos e tem mais dificuldades para parar de fumar. O vício mexe muito com a vaidade, ansiedade e problemas hormonais", enfatiza Celson. De acordo com ele, os jovens estão fumando cada vez mais cedo, um dos motivos são as influência da publicidade e os diversos tipos de cigarros que surgiram no mercado. "A pessoa começa a fumar entre 14 e 19 anos. Agora existem diversos tipos de cigarros com sabores para disfarçar o cheiro forte e acabam atraindo o adolescente a usar o cigarro em dobro. Tem também a famosa narguilé, que faz a fumaça passar pela água e ficar com sabor. Muitos pensam que não tem nicotina e não faz mal, mas, uma tragada de narguilé equivale a 10 cigarros", alerta.
Os fumantes que passaram pelo local também puderam medir a capacidade do pulmão, o teor do monóxido de carbono e receber informações sobre como parar de fumar. A Secretaria de Saúde informa sobre os problemas encontrados para a pessoa deixar o vício, dos 52,1% que querem parar, somente 5% param sem ajuda. A assistente social da Secretaria de Saúde, Carla Cristina Peixoto explica que a rede pública de saúde oferece Unidades de Tratamento do Tabagismo em diversos locais do DF. "São grupos de aproximadamente 15 pessoas. O tratamento é equivalente há seis semanas, mas, com acompanhamento de um ano, tempo em que o usuário é considerado não fumante. Nos grupos oferecemos palestras, orientações e medicações", conta. De acordo com a assistente, as pessoas estão cada vez mais conscientes para o risco que o cigarro traz a saúde. "A demanda é grande, muitas pessoas estão atrás de ajuda para parar de fumar. A maior parte delas são mulheres acima de 40 anos. Mas, já recebemos uma jovem de 18 anos. Geralmente são pessoas que fumam mais de uma carteira de cigarros por dia e não conseguem deixar o vício", explica.
A programação de combate ao tabagismo ocorre durante toda a semana. As atividades começaram quinta-feira (26), quando cerca de 350 estudantes foram orientados sobre os riscos do tabagismo. Nessa quarta-feira (1º), haverá uma manifestação na Esplanada dos Ministérios com o objetivo de pressionar os parlamentares a aprovarem o Projeto de Lei nº 315/08, que propõe a modificação do artigo 2 e garante a proibição de fumódromos em locais fechados.