Ciência e Tecnologia
22.08.2010

Análise genética das células do tumor cerebral fornece prognóstico individual

Pesquisadores podem, agora, desenvolver novas estratégias de tratamento para pacientes com ependimomas biologicamente diferentes

Foto: Divulgação/German Cancer Research Center
Fluorescência imagem de células de um tumor no cérebro de alto risco (ependimoma)
Fluorescência imagem de células de um tumor no cérebro de alto risco (ependimoma)

Um grupo de investigação liderado por Stefan Pfister, do German Cancer Research Center e da Universidade de Heidelberg, ambos na Alemanha, revelou que a análise das alterações no material genético de ependimomas, um tipo relativamente comum de tumor no cérebro, permite aos médicos preverem a progressão da doença com mais precisão e de maneira individual.

"Esta descoberta é um passo para o benefício do paciente", disse Pfister, que realizou o estudo junto com seus colegas, o professor Andrey Korshunov e Hendrik Witt. "Agora podemos desenvolver novas estratégias de tratamento individual para pacientes com ependimomas biologicamente diferentes. Nós podemos usar as alterações específicas nos cromossomos, como marcadores que indicam o grau de intensidade necessária para o tratamento de diferentes grupos de pacientes."

Os pesquisadores estudaram o material genético do tumor de 292 pacientes que apresentam ependimoma. O estudo incluiu apenas pacientes com tumores estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde, como graus II e III. No entanto, esta classificação dificilmente fornece qualquer indicação sobre dificuldades no tratamento da doença.

Os cientistas estudaram as células do tumor removidas, comparando-as com as células saudáveis e encontraram alterações características nos cromossomos das células tumorais do cérebro. A equipe encontrou, com frequência, ganhos ou perdas de cromossomos ou regiões cromossômicas inteiras. Eles passaram a comparar o valor prognóstico dessas aberrações no que diz respeito à sobrevivência, com fatores prognósticos já conhecidos, como a recorrência da doença, a idade no diagnóstico, sexo, posição do tumor no cérebro, grau do tumor e se foi ou não possível remover o tumor completamente por cirurgia.

Os pesquisadores descobriram que, além da idade jovem no momento do diagnóstico, o conhecimento das alterações individuais no material genético das células tumorais fornece previsões muito precisas sobre a progressão da doença. Assim, os ganhos no braço longo do cromossomo 1, bem como a perda de genes supressores de tumor estão associados com uma resposta bastante pobre ao tratamento, de modo que é importante encontrar novas opções de terapia adicional para estes pacientes. Por outro lado, a perda completa do cromossomo 6 e ganhos nos cromossomos 9, 15 ou 18 estavam associados a uma maior sobrevida dos pacientes.

Investigações futuras mostrarão se os médicos podem poupar estes pacientes de alguns tratamentos estressantes.

Fonte: Isaude.net